-- Acampamento

Acampamento

O  maior núcleo habitacional da Vila da Light chamava-se Acampamento. Distava cerca de 300 metros das casas da chefia. Essas duas áreas eram separadas por densa vegetação e a ligação, entre elas, só era possível pela mesma estradinha sinuosa de terra que dava acesso ao complexo formado por: Usina, Plano Inclinado, Subestação, Garagem, Casas dos Chefes, Acampamento e Balanço.

Podia-se, também, chegar às residências dos chefes e ao Balanço por meio de trilhos, num trole puxado à cabo de aço partindo das costas da Usina rumo ao Alto do Morro.

Seguindo pela estrada e deixando Usina e Garagem para trás, chegava-se a uma bifurcação acentuada à esquerda, que era o caminho para as Casas dos Chefes. A única construção nesse ponto era um pequeno bunker quadrado ao qual chamávamos  "Casa de Pólvora" ou "Polvareira", um nome que vinha dos tempos da construção.

Era nesse local que os operários estocavam os explosivos usados, principalmente, na abertura de túneis. Isso explicaria o fato de a pequena fortaleza estar situada em  local afastado dos  três núcleos residenciais  daquela área: Casas dos Chefes, Acampamento e Balanço  Na verdade, era mantido trancado com pesados cadeados e sua falta de uso era denunciada pelo emaranhado de teias de aranha que havia por todo o lugar.

Quem evitasse a alameda dos chefes e seguisse pelo leito principal da estrada tinha, à sua esquerda, um elevado barranco com rochas e vegetação e, à direita, o leito do rio que descia das cachoeiras. Do outro lado do rio, um aterro e uma colina tingida de verde num crescendo até se transformar numa bela montanha. Era esse o cenário observado por quem seguia rumando para o grupamento de casas chamado "Acampamento".

Desde a Casa de Pólvora, quem mirasse a estrada, lá adiante, conseguiria vislumbrar eucaliptos (foto acima) sombreando um cercado de madeira branca. De fato, nesse ponto de entrada à área residencial, a primeira edificação avistada era o cercado, os jardins e o prédio da escolinha da vila.

Quase na frente da escola, a estrada, se dividia novamente.  À direita, dava acesso a um pátio com apenas quatro residências. O ramo que seguia em frente, virava rua ladeada de casas e era o caminho de acesso às cachoeiras.

Até o final da década de 1960, as casas de todos os núcleos habitacionais eram muito bem conservadas, com seus telhados avermelhados, paredes pintadas em branco, portas e janelas num tom verde escuro. Quase todas as moradias tinham jardins protegidos por cercas-vivas de pinheirinhos caprichosamente aparados. 

O entroncamento à esquerda seguia em leve aclive ladeando um parquinho, sempre aberto, com seus balanços, gangorras, escorregador, barras para ginástica, serrote, brinquedos, onde as crianças podiam se divertir à vontade.

Subindo mais um pouco por esse ramo chegava-se ao campo de futebol, à esquerda e, defronte a este, à Sede do clube local, o São Paulo Electric Football Club, também conhecido como "Glorioso do Vale".

Desse ponto em diante a subida ficava mais acentuada e dava, em sua retaguarda, acesso a grupos de casas vindos, desde as cachoeiras, protegidos por um bosque de eucaliptos. Dali, após o prédio da "Venda" (o armazém local), a estrada dobrava à esquerda rumo ao seu destino final: o núcleo o Balanço!